Pode me chamar de gay
by Pedro Bial ou Fabrício Carpinejar
Pode me chamar de gay, não está me ofendendo.
Pode me chamar de gay, é um elogio.
Pode me chamar de gay, apesar de ser heterossexual, não me importo de ser confundido. Ser gay me favorece, me amplia, me liberta dos condicionamentos. Não é um julgamento, é uma referência.
Pode me chamar de gay, não me sinto desaforado, não me sinto incomodado, não me sinto diminuído, não me sinto constrangido.
Pode me chamar de gay, está dizendo que sou inteligente.
Está dizendo que converso com ênfase.
Está dizendo que sou sensível.
Pode me chamar de gay.
Está dizendo que me preocupo com os detalhes.
Está dizendo que dou água para as samambaias.
Está dizendo que me preocupo com a vaidade.
Está dizendo que me preocupo com a verdade.
Pode me chamar de gay.
Está dizendo que guardo segredo.
Está dizendo que me importo com as palavras que não foram ditas.
Está dizendo que tenho senso de humor.
Está dizendo que sou carente pelo futuro.
Está dizendo que sei escolher as roupas.
Pode me chamar de gay.
Está dizendo que cuido do corpo, afino as cordas dos traços.
Está dizendo que falo sobre sexo sem vergonha.
Está dizendo que danço levantando os braços.
Pode me chamar de gay.
Está dizendo que choro sem o consolo dos lenços.
Está dizendo que meus pesadelos passaram na infância.
Está dizendo que dobro toalha de mesa como se fosse um pijama de seda.
Pode me chamar de gay.
Está dizendo que sou aberto e me livrei dos preconceitos.
Está dizendo que posso andar de mãos dadas com os anéis.
Está dizendo que assisto a um filme para me organizar no escuro.
Pode me chamar de gay.
Está dizendo que reinventei minha sexualidade, reinventei meus princípios, reinventei meu rosto de noite.
Pode me chamar de gay.
Está dizendo que não morri no ventre, na cor da íris, no castanho dos cílios. Pode me chamar de gay.
Está dizendo que sou o melhor amigo da mulher, que aceno ao máximo no aeroporto, que chamo o táxi com grito.
Pode me chamar de gay.
tá dizendo que me importo com o sofrimento do outro, com a rejeição, com o medo do isolamento.
Está dizendo que não tolero a omissão, a inveja, o rancor. Pode me chamar de gay.
Está dizendo que vou esperar sua primeira garfada antes de comer.
Está dizendo que não palito os dentes.
Está dizendo que desabafo os sentimentos diante de um copo de vinho.
Pode me chamar de gay.
Está dizendo que sou generoso com as perdas, que não economizo elogios, que coleciono sapatos.
Pode me chamar de gay.
Está dizendo que sou educado, que sou espontâneo, que estou vivo para não me reprimir na hora de escrever.
Pode me chamar de gay.
Que seja bem alto. A fragilidade do vidro nasce da força e do ímpeto do fogo.
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Caros amigos,
Numa sociedade onde ainda predomina a intolerância, onde ainda “se discute” sobre a aprovação do PL 122*, onde perseguições e homicídios ainda ocorrem por conta da orientação sexual de um pessoa, o texto de Pedro Bial cai como um bálsamo.
"A partir do conhecimento científico atual e do conhecimento espírita, vamos compreender que todos nós, heterossexuais, homossexuais e bissexuais, somos filhos de um mesmo Pai, e que essa diversidade sexual deve ser respeitada, inclusive através de leis que garantam direitos e deveres iguais para todos e promovam uma convivência pacífica e produtiva entre todos os membros de nossa sociedade."
Gibson Bastos (Autor do livro Além do Rosa e do Azul – Recortes Terapêuticos sobre Homossexualidade à Luz da Doutrina Espírita)
* Projeto de Lei da Câmara Nº 122/2006, que “define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.”
Amigos,
Em tempo, recebi o texto como sendo de Pedro Bial, porém pesquisando a respeito vi que alguns sites atribuem sua autoria a Pedro Bial, outros ao escritor Fabrício Carpinejar, e por aí vai. Se alguém souber quem é o verdadeiro autor, favor divulgar.